Blog Ergo Sum II

Renasço como Fênix! Isso no meu ombro é cinza, e não caspa!!!

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terça-feira, maio 13, 2003
 
Tétricas Teorias Hipotéticas: Exemplos e conselhos

Uma séria, para variar. Começa com um exemplo pra exemplificar o caso dos exemplos...
Um colega hoje me pediu para dar palpite numa proposta de paper dele. Eu li a proposta e comecei a conversar com ele sobre metodologia. Estava defendendo a hipótese de que a metodologia tem que ser escolhida de acordo com as hipóteses que a gente faz e que no caso dele, ele precisava melhorar a hipótese porque daí ele poderia escolher uma metodologia mais adequada do que a que ele havia proposto. Então exemplifiquei dizendo: se você escolher "retenção de talentos" como sua hipótese, você pode montar sua metodologia em cima de tentar identificar as empresas que retém talentos e ver o que elas têm em comum...
Uma amiga nossa, que ouvia a conversa, disse: eu não concordo! Retenção de talentos não é um bom tema...

Essa é uma coisa que acontece muito comigo (por isso imagino que deve acontecer muito em geral): eu uso um exemplo ou uma metáfora para falar sobre um processo e as pessoas tomam a metáfora como o real, ou o exemplo como conselho.
Não me passou pela cabeça dizer ao meu colega quais as hipóteses que ele devia pesquisar. Afinal, a pesquisa é dele. Peguei retenção de talentos porque era a primeira de uma longa série de fatores que ele havia colocado na revisão bibliográfica. O que importava para mim era o processo metodológico.

Já tive discussões homéricas com pessoas porque elas pegaram meu exemplo como o que importava, enquanto que o que eu queria era que a pessoa entendesse os processos por trás do exemplo. No pouco tempo em que fiz psicologia clínica e durante consultorias, descobri que precisava tomar muuuito cuidado com isso, como naquela piada da lógica portuguesa do aquário.

Aí fiquei pensando no porquê de se fazer isso. E a hipótese que me veio na cabeça é que aceitar um conselho (ou recusá-lo) é muito mais "tranquilizador" do que entender um processo e ter que refletir sobre ele. No caso em questão, por exemplo, acho que o que a nossa colega queria era acabar rápido com a "dúvida" de "o que fazer do meu paper?". A dúvida tem sido banida dos ambientes de pesquisa, pelo menos dos que eu convivo... Seria por que a dúvida remete à incerteza? Será que até nisso se pode ser Freudiano? Queria saber se alguém já fez alguma análise sobre o positivismo, o racionalismo e o funcionalismo como "tentativas sociais de controle das pulsões e alívio das tensões relacionadas a essas pulsões", como descreve Freud no Totem e Tabu e em outros textos sociológicos.

Para mim, a essência da pesquisa deveria ser a reflexão sobre a dúvida. Não para exterminá-la. Pelo contrário, para aprofundá-la.

PS: As duas últimas Revistas de Administração de Empresas - RAE - trouxeram artigos que aprofundaram minha dúvida sobre como se faz ciência hoje. Depois preciso escrever sobre isso.