Blog Ergo Sum II

Renasço como Fênix! Isso no meu ombro é cinza, e não caspa!!!

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sexta-feira, julho 04, 2003
 
Ele tinha pânico mesmo de conhecer era o cachorrinho da nova namorada. Sabia que o pai e a mãe, por mais que odiassem, seria gentis. Sabia que os amigos dela falariam só pelas costas. Mas cachorros não usam esses subterfúgios sociais. Por isso tinha pânico era do cachorrinho.
Até porque ela amava o bichano. E ele detestava cachorro. E os cachorros em geral o odiavam. Era recíproco e sincero a aversão mútua.
Por isso, quando foi pro apartamento dela, seu coração batia. Ele tentou postergar: "Não quer dar uma passada na sua mãe? Ainda é cedo e eu não conheço..."
O olhar dela de desejo desanimou qualquer tentativa dele de fugir do encontro. Era o apartamento e . Respirou fundo, tentando racionalmente se acalmar. Mas a palma da sua mão suava no volante...
E não é que se adoraram! A princípio o cão olhou meio ressabiado, mas ela era sábia e foi ao banheiro, deixando os dois sozinhos na sala. E fez hora...
Quando voltou, os dois animadamente brincavam de pegar graveto, a sala transformada em quintal. O cachorro corria feliz, pegava a caixinha vazia de remédio usado como graveto, trazia de volta para ele e já virava a barriguinha. Ele coçava a barriga do canino até que ele soltasse a caixa, então a pegava, atirava e esperava, com um sorriso, o cão voltar.
Mais tarde ele protestou quando ela fechou o cão na sala para que os dois ficassem a sós no quarto. O cachorro gania na sala...
Tiveram sua primeira indisposição quando ela, dando uma bronca no cachorrinho, prendeu-o na cozinha, para que parasse de ganir.
Ele comentou com ela que, por vezes, o cachorro olhava para ele com um olhar quase humano. Ela disse "um-hum" enquanto deixava escorregar o vestido. E então o cachorro foi prontamente esquecido.

Acordaram ao meio dia do dia seguinte, com a campanhia tocando. Era a mãe da moça. Ela se apavorou: a mãe podia até ser moderna, mas encontrar alguém dormindo na casa da filha era demais!
Tramaram com a empregada. Ele saiu pela porta da cozinha assim que a porta da sala se fechou, e a empregada apareceu na sala dizendo "bom dia", como se tivesse chegado atrasada.
Depois de fazer um pouco de hora, ele desceu e tocou o interfone. "Que coincidência, mãe" caradepou a moça "vai poder conhecer meu novo namorado, que veio de surpresa".
Ele entrou meio descabelado pela porta, com cara de culpa, mas cumprimentou a mãe. Sentaram-se, conversaram-se e conheceram-se, mas ele deu por falta do cachorro e, se traindo, o chamou pelo nome.
E lá veio o cachorro, feliz da vida, para retomar a brincadeira, trazendo um novo brinquedo na boca: a caixinha de camisinhas que os dois esvaziaram durante a noite...
E o olhar quase humano do cachorro dizia, claramente: vingança!!!